segunda-feira, 31 de maio de 2010

Engenharia Química e Sustentabilidade Ambiental


Segundo o presidente da Abeq, novos conceitos e novas necessidades desafiam a engenharia química neste início do século XXI. A sustentabilidade ambiental ganha relevância no processo produtivo. “Não é mais possível pensar no uso dos recursos naturais sem levar em conta o impacto ambiental”, afirma categoricamente o engenheiro químico.

O meio ambiente é a restrição determinante para se definir o quê, quanto e como produzir. Com esse conceito, surgem inúmeros novos desafios ao profissional do setor. O primeiro é reduzir o impacto da atividade transformadora, levando em consideração todo o processo, da conversão dos recursos naturais ao descarte final dos produtos. Para isso, será preciso reduzir o uso de matérias-primas; substituir produtos quando necessário; adotar tecnologias limpas; utilizar de forma mais eficiente os insumos, por meio do aprimoramento de equipamentos e processos; e adotar a reciclagem e o re-uso de materiais dentro do processo. O segundo desafio é a adoção, em maior escala, de recursos renováveis da natureza para a produção de energia e processos químicos. O petróleo está em baixa. A biomassa e as biorrefinarias são os substitutos. Assim como a energia solar e a eólica.

Outra preocupação é ampliar a substituição de produtos que demoram a se decompor na natureza por equivalentes de degradação rápida. E também reforçar a reciclagem de produtos como alumínio, plásticos, papel e vidro. Promover a reciclagem ambiental é outro desafio, para recuperar ambientes degradados. E o tratamento de efluentes líquidos, sólidos e gasosos.

De acordo com Seckler, pesquisador da IPT: “ o desenvolvimento da nanotecnologia ganha uma importância ainda maior, uma vez que ela aproveita propriedades não usuais da matéria, permitindo o uso mais eficiente dos recursos naturais. “O engenheiro químico deve ter um papel relevante no desenvolvimento da nanotecnologia e da biotecnologia”, diz o presidente da Abeq. “Qual é esse papel e como o engenheiro químico se preparará para essa função é o que precisamos definir imediatamente”, afirma. Ele acredita, porém, que esses desafios, na verdade, representam novas áreas promissoras ao desenvolvimento profissional do engenheiro químico, que terá outros campos de atuação com a nanotecnologia e com a biotecnologia. Ele acredita também que a álcoolquímica e a química verde, a química com preocupação social e ambiental, são tendências fortes para o futuro do setor.
Mas isso não significa que os processos clássicos de engenharia química serão descartados no futuro. Pelo contrário: “O desafio, nesse campo, é o desenvolvimento de processos mais eficientes e o ganho de qualidade”, diz o pesquisador do IPT.

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